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Gestão

Formação de preço de custo: o cálculo que decide se sua loja lucra ou quebra

Jorge Regis
Por Jorge Regis
Fundador da Infotec • +27 anos no varejo
06 de jul. de 20268 min

Você compra um produto por R$ 10 e vende por R$ 15. Parece lucro de R$ 5, certo? Errado — e esse erro é o motivo pelo qual muitos lojistas trabalham o mês inteiro, fecham o caixa e não entendem para onde o dinheiro foi.

O problema não é vender pouco. O problema é não saber quanto o produto realmente custou antes de colocar o preço na etiqueta.

Preço de custo não é o valor da nota fiscal do fornecedor. É a soma de tudo o que você gasta até aquele produto estar disponível para o cliente comprar: frete, impostos, embalagem, perdas, taxas de cartão, comissão. Quem ignora essa conta está, sem saber, subsidiando o cliente com o próprio lucro.

A boa notícia é que formar o preço de custo corretamente não exige planilha complicada nem curso de contabilidade. Neste artigo você vai aprender o passo a passo para calcular o custo real dos seus produtos e nunca mais vender no escuro.

1. Entenda a diferença entre preço de compra e preço de custo

Preço de compra é o que está na nota fiscal do fornecedor. Preço de custo é tudo isso somado a mais uma série de gastos que acontecem entre a compra e a venda.

Muito lojista usa só o valor da nota para calcular o preço de venda e depois não entende por que, no fim do mês, sobrou pouco dinheiro no caixa — mesmo com a loja cheia.

A conta certa é:

Preço de custo = Preço de compra + Frete + Impostos + Perdas + Outros custos diretos

Quer aplicar isso no seu negócio? Fale com um especialista da Infotec.

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Só depois de ter esse número é que você aplica a margem de lucro e chega no preço de venda.

2. Some o frete de compra ao custo do produto

Se você paga frete para trazer a mercadoria até a loja, esse valor faz parte do custo — não é uma despesa separada que "some" no financeiro.

Exemplo simples:

  • Comprou 100 unidades de um produto por R$ 1.000
  • Pagou R$ 100 de frete para receber a mercadoria
  • Custo real por unidade: R$ 1.100 ÷ 100 = R$ 11, e não R$ 10

Parece pouco, mas em grande volume esse "esquecimento" de R$ 1 por unidade pode representar milhares de reais de margem perdida por mês.

3. Inclua os impostos sobre a venda no cálculo

Todo produto vendido gera imposto, e esse valor sai do seu bolso no momento da venda — mesmo que você não veja isso na hora de precificar.

Dependendo do seu regime tributário (Simples Nacional, Lucro Presumido, etc.), a alíquota muda, mas o princípio é o mesmo: o imposto precisa estar embutido no preço de venda, nunca descontado depois do lucro que você já contava ter.

Dica: converse com seu contador para saber a alíquota efetiva do seu negócio e use esse percentual em todos os seus cálculos de precificação, produto por produto ou por categoria.

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4. Não esqueça das perdas e quebras

Nenhum estoque é perfeito. Produto vence, quebra, é roubado, estraga no transporte ou some no balanço. Isso tem nome: quebra operacional, e precisa ser diluído no preço de todos os produtos vendidos — não só lamentado quando aparece no inventário.

Uma forma prática de calcular:

  • Levante o valor total de perdas do último ano (ou dos últimos 6 meses)
  • Divida pelo faturamento total do mesmo período
  • O percentual encontrado é o seu índice de quebra — aplique esse percentual como um custo adicional na formação de preço

Setores como hortifruti, açougue e padaria costumam ter índices de quebra mais altos e precisam de atenção redobrada nesse ponto.

5. Calcule o custo da embalagem e do material de venda

Sacola, caixa, etiqueta, fita, papel de presente, plástico bolha — tudo isso é custo direto do produto, mesmo que pareça "detalhe".

Se você vende 500 unidades por mês e cada uma sai embalada com R$ 0,80 de material, são R$ 400 por mês que precisam estar embutidos no preço — não descontados da sua margem sem você perceber.

6. Não deixe a taxa do cartão comer sua margem

Esse é um dos custos mais esquecidos na hora de formar o preço. Cartão de crédito, débito, parcelamento e maquininha têm taxas diferentes, e cada uma reduz o valor que efetivamente entra no caixa.

Exemplo:

  • Você vende um produto por R$ 100 no cartão de crédito parcelado
  • A taxa da maquininha é de 4%
  • Você recebe R$ 96, não R$ 100

Se o seu preço foi calculado em cima dos R$ 100 "cheios", sua margem real está sendo corroída em toda venda no cartão. O ideal é considerar a taxa média ponderada de todas as formas de pagamento que sua loja aceita e embutir esse percentual no custo final.

7. Use um sistema para automatizar essa conta

Fazer isso na mão, produto por produto, é possível quando a loja tem poucos itens. Mas com um mix maior de produtos, o cálculo manual vira fonte de erro — e erro de precificação é prejuízo silencioso.

Um sistema de gestão (PDV/ERP) bem configurado calcula automaticamente o custo de cada produto somando frete, impostos, taxas e margem desejada, e já sugere o preço de venda correto. Isso elimina o "achismo" e garante que nenhuma venda saia abaixo do que deveria.

Conclusão

Formar o preço de custo corretamente não é sobre fazer conta complicada — é sobre não esquecer nenhuma parte da conta. Recapitulando:

  • Separe preço de compra de preço de custo.
  • Some o frete de compra ao custo do produto.
  • Embuta os impostos sobre a venda no cálculo.
  • Considere as perdas e quebras do seu estoque.
  • Inclua embalagem e material de venda.
  • Desconte a taxa do cartão antes de definir a margem.
  • Automatize esse cálculo com um sistema, sempre que possível.

Quem forma o preço certo sabe exatamente quanto está ganhando em cada venda — e não descobre no fim do mês que trabalhou o período inteiro para pagar as próprias contas escondidas dentro do preço.

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