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Financeiro

A partir de 01 de janeiro de 2027, o governo começa a tirar a parte dele antes do dinheiro cair na sua conta

Jorge Regis
Por Jorge Regis
Fundador da Infotec • +27 anos no varejo
27 de jul. de 20267 min

Hoje, quando o cliente passa o cartão, faz um Pix ou paga um boleto, o valor cheio cai na sua conta. Os impostos ficam "misturados" nesse dinheiro, e é você quem separa e paga depois, no vencimento.

Isso está prestes a mudar. Com o split payment, o próprio sistema financeiro vai separar a parte do imposto no exato momento do pagamento — antes desse dinheiro chegar até você. Na prática, o governo deixa de esperar o boleto do imposto vencer e passa a receber a parte dele em tempo real, direto na fonte.

Não é um imposto novo. É uma nova forma de cobrar os impostos que já existem — e ela muda completamente a lógica do seu caixa. Neste artigo, explicamos de forma simples o que é, quando começa a valer e o que muda na prática para o seu negócio.

1. O que é split payment, em uma frase

Split payment significa "pagamento dividido". Quando o cliente paga, o valor não chega mais inteiro para você: uma parte vai automaticamente para o seu bolso e outra parte vai automaticamente para o governo, no mesmo instante da transação.

É como se, dentro de cada máquina de cartão, Pix ou boleto, existisse um cofrinho invisível separando na hora o que é seu do que é do Fisco.

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2. Isso é imposto novo?

Não. O split payment faz parte da Reforma Tributária e está ligado à cobrança de dois tributos que vão substituir vários impostos atuais: o CBS (federal) e o IBS (estadual/municipal). O que muda não é quanto você paga de imposto — é o momento em que esse imposto sai do seu caixa.

Hoje: o dinheiro entra inteiro, você usa parte dele no capital de giro e paga o imposto depois. Com split payment: o imposto já sai separado na hora, e o que sobra no seu caixa já é o valor líquido.

3. Quando o split payment começa a valer de verdade

Aqui está o ponto que mais gera confusão — e é importante ser preciso:

  • Em 2026, o Brasil está em fase de teste. Empresas convidadas participam de um projeto-piloto com alíquotas simbólicas, apenas para validar se o sistema funciona. Não há cobrança real de CBS e IBS pelo split payment neste ano.
  • A partir de 01 de janeiro de 2027, o split payment começa a valer de fato, mas de forma facultativa e gradual, primeiro nas vendas entre empresas (B2B). A obrigatoriedade e a expansão para venda ao consumidor final (B2C) ainda não têm data fechada — dependem da maturidade dos bancos, das maquininhas e dos sistemas de gestão.

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Ou seja: o mecanismo não liga de uma vez para todo o Brasil em um único dia. Ele começa a ser testado com um grupo, entra em vigor de forma opcional em 2027 e vai se espalhando aos poucos — e é justamente por isso que quem se prepara antes sai na frente.

4. Como funciona na prática, passo a passo

  1. O cliente paga (cartão, Pix, boleto ou transferência).
  2. O sistema financeiro identifica automaticamente quanto daquele valor é imposto.
  3. A parte do imposto é enviada direto para o governo (CBS para a Receita Federal, IBS para o Comitê Gestor).
  4. Só o valor líquido — já sem os tributos — cai na conta da sua empresa.

Você continua vendendo, faturando e emitindo nota normalmente. A diferença é que o dinheiro que chega na conta já vem "descontado" do imposto, em vez de vir inteiro.

5. O que muda no caixa da sua loja

Esse é o impacto mais direto e o motivo pelo qual vale a pena começar a se preparar com antecedência:

  • Menos dinheiro disponível no curto prazo — o valor que hoje fica temporariamente no seu caixa até o vencimento do imposto vai parar de existir.
  • Capital de giro mais apertado — negócios que usam esse intervalo entre receber e pagar imposto para respirar financeiramente vão precisar ajustar a forma de operar.
  • Mais previsibilidade tributária — por outro lado, você deixa de correr risco de esquecer, atrasar ou calcular errado o recolhimento do imposto, já que ele é resolvido automaticamente no ato da venda.

6. O que fazer para se preparar desde já

  • Simule seu fluxo de caixa recebendo o valor líquido, sem contar mais com o dinheiro do imposto como "respiro" temporário.
  • Revise prazos com fornecedores, já que o capital de giro que antes vinha desse intervalo vai diminuir.
  • Mantenha o sistema de gestão atualizado — ERPs e emissores de nota vão precisar dialogar com bancos e maquininhas para calcular e registrar corretamente o valor líquido recebido.
  • Acompanhe o cronograma oficial, porque as datas de obrigatoriedade ainda podem ser ajustadas pelo governo conforme a fase de testes avança.

Conclusão

O split payment não é um imposto a mais — é uma forma nova, mais automática, de cobrar o imposto que já existe. Recapitulando:

  • É a divisão automática do pagamento entre você e o governo, no momento da transação.
  • 2026 é ano de teste, sem cobrança real. A partir de 01 de janeiro de 2027 o mecanismo começa a valer, de forma opcional e gradual, primeiro entre empresas.
  • O valor que cai na sua conta passa a ser líquido, já sem a parte do imposto.
  • O maior impacto é no capital de giro — e é isso que precisa começar a ser planejado agora, antes que a mudança chegue de forma obrigatória.

Quem espera a obrigatoriedade chegar para se organizar vai sentir o aperto no caixa de uma vez. Quem se prepara agora atravessa a mudança sem sobressalto.

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